Esse texto eu fiz na graduação para a disciplina de Sociologia da Educação...
EDUCAÇÃO
E PODER
Graciele Rosa da
Costa
Para compreender a relação existente entre educação e
poder é oportuno refletir sobre o que é poder. Poder é a capacidade que alguém
tem de alterar o comportamento de outrem. Existem vários fatores que levam uma
pessoa a obedecer outra, como a dependência material (propriedade), o
conhecimento, o carisma, a tradição e a lei. Analisando esses fatores, acredito
serem legítimas formas de poder, em primeiro lugar, o conhecimento e, aliado a
esse, o carisma. São formas de persuasão, que fazem da obediência um comportamento
normal, pois os comandados aceitam cumprir as ordens recebidas por entenderem
que estas tornarão suas vidas melhores, que são a melhor alternativa para a
situação vivenciada. São convencidos disso. Outra maneira de exercer o poder é
a coerção, que é o uso da ameaça para conseguir obediência.
Geralmente observamos na sociedade estruturas
hierárquicas com distintas gradações de poder, onde ninguém é apenas dominador
ou dominado, mas todos experimentam a relação dominar-dominação. A autoridade
legitima o poder exercido por alguém quando os subordinados entendem como
justas suas ordens. O poder se caracteriza por uma negociação onde as partes dispõem
de recursos para exercer controles recíprocos.
Na escola vemos claramente essa relação hierárquica de
poder, pois o professor está subordinado ao Estado, às autoridades educacionais
e à própria escola em que atua, mas tem também seu poder legitimado perante os
alunos e nos órgãos como sindicatos e associações, no sentido de reivindicar
seus direitos, de resistir às imposições feitas pelos seus superiores.
É a relação professor-aluno que analisaremos neste
momento. Quanto às fontes de poder, os alunos obedecem ao professor porque
foram educados para isso (tradição); porque o regimento determina (lei); porque
o professor conhece mais do que eles em determinado nível (conhecimento). Na
sala de aula o professor tem poder para determinar quem pode se locomover na
sala, quem ou o que se pode falar, as tarefas da aula, a avaliação a ser feita,
entre outras coisas. O professor pode usar mecanismos coercitivos para fazer
valer a sua vontade, mas quando faz com que seus alunos entendam que o que lhes
foi proposto é de seu interesse, legitima a sua autoridade e, de brinde,
conquista o respeito dos alunos.
Uma questão pertinente quanto à autoridade é em relação
ao autoritarismo: como deixar de ser repressor (autoritário) e tornar-se
criador de condições para que o aluno seja criativo, responsável e atuante?
Rousseau defende que o processo educativo deve respeitar o estágio infantil e
tira o professor do pedestal de detentor do saber. Nesta linha também se
destaca Paulo Freire. Para ele a aprendizagem depende da interação igualitária
entre professor e aluno.
Estas são algumas das conquistas feitas em vista de
amenizar o autoritarismo. Porém, muito se tem ainda a caminhar para alcançar a
relação ideal desejada entre professor e aluno. O poder deve ser exercido em
conjunto a fim de beneficiar o processo de aprendizagem, contribuindo para a
formação de cidadãos conscientes e maduros.
URI/Santo Ângelo,
2003 – Curso de Pedagogia.
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