domingo, 12 de fevereiro de 2012

Do fundo do baú

Esse texto eu fiz na graduação para a disciplina de Sociologia da Educação...



EDUCAÇÃO E PODER
Graciele Rosa da Costa

            Para compreender a relação existente entre educação e poder é oportuno refletir sobre o que é poder. Poder é a capacidade que alguém tem de alterar o comportamento de outrem. Existem vários fatores que levam uma pessoa a obedecer outra, como a dependência material (propriedade), o conhecimento, o carisma, a tradição e a lei. Analisando esses fatores, acredito serem legítimas formas de poder, em primeiro lugar, o conhecimento e, aliado a esse, o carisma. São formas de persuasão, que fazem da obediência um comportamento normal, pois os comandados aceitam cumprir as ordens recebidas por entenderem que estas tornarão suas vidas melhores, que são a melhor alternativa para a situação vivenciada. São convencidos disso. Outra maneira de exercer o poder é a coerção, que é o uso da ameaça para conseguir obediência.
            Geralmente observamos na sociedade estruturas hierárquicas com distintas gradações de poder, onde ninguém é apenas dominador ou dominado, mas todos experimentam a relação dominar-dominação. A autoridade legitima o poder exercido por alguém quando os subordinados entendem como justas suas ordens. O poder se caracteriza por uma negociação onde as partes dispõem de recursos para exercer controles recíprocos.
            Na escola vemos claramente essa relação hierárquica de poder, pois o professor está subordinado ao Estado, às autoridades educacionais e à própria escola em que atua, mas tem também seu poder legitimado perante os alunos e nos órgãos como sindicatos e associações, no sentido de reivindicar seus direitos, de resistir às imposições feitas pelos seus superiores.
            É a relação professor-aluno que analisaremos neste momento. Quanto às fontes de poder, os alunos obedecem ao professor porque foram educados para isso (tradição); porque o regimento determina (lei); porque o professor conhece mais do que eles em determinado nível (conhecimento). Na sala de aula o professor tem poder para determinar quem pode se locomover na sala, quem ou o que se pode falar, as tarefas da aula, a avaliação a ser feita, entre outras coisas. O professor pode usar mecanismos coercitivos para fazer valer a sua vontade, mas quando faz com que seus alunos entendam que o que lhes foi proposto é de seu interesse, legitima a sua autoridade e, de brinde, conquista o respeito dos alunos.
            Uma questão pertinente quanto à autoridade é em relação ao autoritarismo: como deixar de ser repressor (autoritário) e tornar-se criador de condições para que o aluno seja criativo, responsável e atuante? Rousseau defende que o processo educativo deve respeitar o estágio infantil e tira o professor do pedestal de detentor do saber. Nesta linha também se destaca Paulo Freire. Para ele a aprendizagem depende da interação igualitária entre professor e aluno.
            Estas são algumas das conquistas feitas em vista de amenizar o autoritarismo. Porém, muito se tem ainda a caminhar para alcançar a relação ideal desejada entre professor e aluno. O poder deve ser exercido em conjunto a fim de beneficiar o processo de aprendizagem, contribuindo para a formação de cidadãos conscientes e maduros.

URI/Santo Ângelo, 2003 – Curso de Pedagogia.

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